O todo não é igual à soma das partes; é antes um resultado potenciado pelo amadurecimento de contributos mutualistas.

R#03 pretende ser uma experiência imersiva audiovisual ampliada pela interacção entre utilizadores. A fruição individual é enriquecida pela acção conjunta dos observadores que em paralelo operam no dispositivo, alcançando desse modo novos resultados.

O utilizador manipula a máquina, numa aproximação directa ao conceito de cibernética, homem e máquina incorporam o mesmo circuito e partilham um sistema de comunicação. O homem intervém estabelecendo ligações e passando energia; a máquina responde devolvendo conteúdos, experiências e sensações. Os cabos materializam as ligações, construindo uma rede conceptual e material – os homens estão ligados, não apenas entre si (colectivamente) mas também à máquina.

Video da apresentação do projecto R#03 por Davi Anjos, vídeos de várias fases do desenvolvimento disponíveis em: vimeo.com/reconstrucoes.

2014-02-11 16.26.13 2014-02-11 19.53.21Na fotografia, Marta Madeira em interacção com o objecto hipermedia.

20140213_103845Desdobrável “folha de sala” entregue durante a apresentação do projecto.

Agradecimentos: Ana Beatriz Marques, Carlos Almendra, Carolina Sacoto, Davi Anjos,
Luís de Carvalho Campos, Luísa Brito, Marta Madeira, Melany Abade, Rui Andrade, Rui Oliveira,
Teresa Freitas, às nossas famílias e ainda aos professores Victor Almeida e Miguel Cardoso
pelo seu apoio e incentivo.

IMG_3564

Aberto, em processo de reflexão e (re)consideração. A fase #02 concretiza uma (re)construção processual, tal como ambiciona provocar uma recepção (re)construtiva.

(re)construções#02 concretiza uma exploração conceptual herdeira das fases precedentes.

Em #1.2 e #1.3 foi desenvolvida uma análise entre os elementos do grupo, mutualista na colaboração e intervenção de elementos externos sobre a obra. Resulta, portanto, de uma experiência colectiva e define-se com o objectivo de assumir-se enquanto tal.

A fase #02 pretende suscitar novos níveis de interacção social. Por um lado, a experiência individual será enriquecida pela acção conjunta dos observadores, promovendo uma comunicação colaborativa; por outro, ao proporcionar uma experiência aberta e promover uma acção participativa, ampliamos o nosso colectivo.

(re)construções#02 procura amplificar o grau de interactividade potenciada pelo objecto para provocar no observador uma imersão conceptual e física. Ao chamá-lo para uma intervenção directa, dota-o de liberdade e de responsabilidade. Este pressuposto não apenas cumpre o objectivo de inclusão social, mas vem também problematizar o conceito de autoria que o colectivo tem vindo a perseguir. A referida imersão é ainda provocada pela capacidade da máquina de remeter para o exterior, para outras dimensões e sensações.

Da interacção individual e social sublinha-se o objectivo de provocar uma reflexão sobre o enquadramento da máquina nas várias dimensões da vida humana.

Os conteúdos são enformados pela técnica e a aproximação de ambos materializa-se com recurso ao «criador universal» – computador, conforme define Peter Weibel: «All artistic disciplines have been changed through the media. Their effect is universal. (…) The claim of the computer to be a universal machine (…) is fulfilled by the media». WEIBEL, 2005:12

Toda a construção do objecto dependente da capacidade de execução técnica de que fala Weibel, que o colectivo pretende explorar ao longo deste processo, com o objectivo de desenvolver novas aptidões metodológicas, técnicas e conceptuais.

O dispositivo medeia a relação entre o observador e os conteúdos. Procura-se dotá-lo de espessura, retirar-lhe a invisibilidade com que por vezes se cobrem os media.

Pela utilização do dispositivo, o homem opera directamente sobre fragmentos de conteúdos, tal como explorado anteriormente. Esta acção constitui uma (re)construção sensorial e conceptual.

Os conceitos desenvolvidos nas fases precedentes continuam a tecer a estrutura basilar que se sedimenta na fusão homem/máquina. Memória, tempo, controlo, comunicação, obra, algoritmo e autor/designer definem a teia conceptual na qual o observador vai intervir. Em conjunto, concorrem para a construção de um consciencialização da dimensão dos media e seus efeitos.

A fusão entre homem e máquina não é apenas metafórica mas operativa. Para materializar as suas escolhas o observador manipula a máquina; numa aproximação ao conceito de cibernética, homem e máquina tornam-se interdependentes, incorporando um mesmo circuito e partilhando um sistema de comunicação, tal como sugere Norbert Wiener em Men, Machines and The World About. O homem intervém ligando circuitos e fornecendo energia; a máquina responde devolvendo conteúdos, experiências e sensações.

O recurso a cabos concretiza a concepção de ligação. Estes constroem uma rede conceptual e material entre os conceitos trabalhados pelo colectivo, e servem para explicitar que os homens estão também ligados – não apenas entre si, colectivamente, mas também à máquina.

A concepção do objecto insere-se num entendimento pós-medial.

«Not only the effect of the media are universal and therefore is all art already post-medial. Not only because the media are universal machines and therefore all art is post-medial, but also because the universal machine requires computers to simulate all media; therefore all art is already post-medial». WEIBEL, 2005:12

(re)construções#02 configura um objecto hipermedia interactivo. Em termos processuais consiste numa instalação.

No centro do espaço encontra-se o objecto – paralelepípedo – no qual o observador é convidado a intervir. No cenário inicial o observador é conduzido pela iluminação. Um foco direccional projecta luz directa no objecto. Sensores de movimento fazem-no desligar quando o utilizador se aproxima. O próprio objecto ilumina-se, emanando luz interior e evidenciando a informação do painel.

A cada observador é fornecido um cabo que deverá introduzir na máquina estabelecendo ligações. São várias as ligações possíveis, cabe ao observador formular a sua escolha. Cada ligação provoca resultados audiovisuais (som e vídeo) que são activados em forma de fragmentos. Cada observador beneficiará da intervenção de outrem para completar a imagem (gráfica e sonora) que a máquina proporciona.

(re)construções#02 pretende, antes de mais, atrair a atenção do espectador. Chamá-lo para a acção,  reclamar o seu tempo, operar na sua memória. Motivá-lo a exercer controlo sobre a máquina, comunicar com ela. Torná-lo autor ao participar na obra.

Que todo este processo motive mecanismos de desenvolvimento dos autores e dos utilizadores numa experiência que se deseja eminentemente colectiva mas com ecos individuais.